Copan: a pertinência de um projeto de restauro

A recente discussão sobre a recuperação das fachadas do Edifício Copan tem levantado questões importantes que devem ser discutidas com maior profundidade. Acreditamos que discutir a cor ou o material das pastilhas esconde uma questão de fundo

Pela relevância do edifício na história de São Paulo (por se tratar de um exemplar significativo da arquitetura moderna proposta e discutida no meio do século XX pela sua escala impactante na paisagem urbana), qualquer trabalho que for pensado naquele complexo arquitetônico há de se fazer um projeto.

É importante reforçar que o campo do patrimônio não tem regras fixas e estáticas. Todo o processo depende de leituras e discussões, portanto nenhuma fonte de informação deve ser tratada como verdade absoluta. Assim, mostram-se necessárias a coleta de informações sobre as condições do edifício e de suas fachadas(quanto de pastilha soltou? que material foi empregado? Há problemas estruturais?), informações referentes ao projeto e à sua construção, consulta a profissionais que possam contribuir para uma discussão dos aspectos técnicos, construtivos e culturais sobre o bem tombado. Todos estes elementos reunidos servem de suporte para uma decisão equilibrada, inclusive do ponto de vista econômico, que tenha como objetivo principal a preservação do edifício. 

Nada disto visa “voltar a um estado original”. Mas é possível se amparar nestas informações para propor uma intervenção contemporânea. E o que isto significa? Significa refletir sobre o procedimento mais adequado para a preservação do prédio, que além de ser uma importante obra de Niemeyer é também um marco na paisagem paulistana.

Se há informações que indiquem a necessidade de remoção de toda a pastilha, há de se admitir que qualquer nova intervenção deva buscar uma integridade da imagem consagrada. Pela extensão das fachadas, o trabalho deve ser pensado em etapas. Evidentemente a primeira deve ser aquela que elimine todo e qualquer risco aos moradores, aos cidadãos que frequentam os arredores e à estrutura do edifício. Feito isto, o processo de restauro da fachada pode ter o ritmo que a capacidade econômica do condomínio suportar, sempre buscando soluções da melhor qualidade.

Reforçamos aqui que o trabalho no edifício deve ser tratado como  um projeto de restauro e não como simples conservação: um projeto que  respeite seus aspectos construtivos e simbólicos, com uma leitura contemporânea e não nostálgica.

O diálogo com os órgãos de preservação – CONPRESP e CONDEPHAAT – pode contribuir muito para a compreensão dos valores a serem preservados e para dar amparo às decisões de projeto. Neste momento tudo pode ser questionado e discutido, para que se possa executar uma obra da melhor qualidade técnica possível no sentido de contribuir para a preservação do edifício.

São Paulo, 25 de maio de 2017.

IABsp

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